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Lately

Histórias, opiniões, desabafos, receitas...

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Histórias, opiniões, desabafos, receitas...


Miguel Mósca Nunes

27.02.22

 

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O doido por pudins traz mais uma receita para vos deixar completamente extasiados, quer pelo sabor, quer pela textura cremosa e mais consistente, que nos oferece esta maravilhosa alternativa.

Adaptei esta receita, retirando-lhe um pouco de farinha para aveludar ainda mais este pudim dos deuses e alterando também os ovos. O conforto e a indulgência são o mote para a escolha do que aqui se mostra.

Aproveitem para fazer uma surpresa ao vosso amor. Verificarão que é infalível para tornar especial um final de dia.

 

Ingredientes:

  • 4 ovos inteiros
  • 2 gemas
  • 400 g de açúcar
  • 2 colheres de sopa de manteiga com sal (se optar por manteiga sem sal, junte uma colher de chá de sal à parte)
  • 1 litro de leite gordo
  • 200 g de farinha sem fermento
  • 200 g de açúcar e 200ml de água, para o caramelo

 

Preparação:

Leve ao lume o açúcar e a água e deixe ferver, sem mexer, até chegar à cor âmbar para um caramelo no ponto (não deixe escurecer para não correr o risco de queimar). Verta este preparado numa forma rectangular ou quadrada. Pode utilizar uma forma redonda com 24 cm de diâmetro, com pouca altura (aproximadamente 5 cm) e sem furo no meio. Não é necessário cobrir as laterais. Reserve.

Este pudim, ao contrário de outros, pode ser batido num liquidificador, porque contém farinha.

Comece por misturar as gemas, os ovos inteiros, o açúcar e a manteiga, batendo por cerca de dois a três minutos no liquidificador. Depois junte o leite e junte a farinha aos poucos, à medida que vai misturando, até adicionar a totalidade desta.

Verta a mistura para a forma e leve ao forno pré-aquecido a 180º, em banho-maria, durante quarenta minutos. Confirme se o pudim está no ponto ao inserir uma faca que deverá sair limpa. Deixe arrefecer e leve ao frio pelo tempo suficiente para ficar fresco. Retire da forma e delicie-se.

Dica: ferva a água numa chaleira antes de a verter para o banho-maria, caso contrário é provável que tenha de aumentar o tempo de cozedura por quinze minutos.


Miguel Mósca Nunes

27.02.22

Quando em Portugal continuamos a ver políticos corruptos a servirem-se da sua condição para colocarem os seus interesses pessoais à frente dos interesses do país e que se mantêm impunes pelos roubos sucessivos ao erário público, quando assistimos diariamente a manifestações e sinais de que continuamos a ser um país de doutores e engenheiros, uma cambada de gente retrógrada que só dá valor aos títulos e designações académicas, cumprindo uma tradição endémica e nobiliárquica que protegia, acima de tudo, os seus títulos e condição, quando vemos constantemente cadeiras vagas na Assembleia da República, quando ainda continuamos a ter secretárias para servir cafés em reuniões, porque com toda a certeza nos cairão os parentes na lama se o fizermos, na Ucrânia há um presidente que vai para o teatro de guerra, um presidente da câmara que não arreda pé e que diz que vai lutar até ao fim e um deputado armado a percorrer as ruas da cidade.

A imagem que impregna a minha imaginação é a de uma deserção total da classe política, que classe não tem nenhuma, caso a guerra acontecesse aqui, neste rectângulo ibérico.

 


Miguel Mósca Nunes

24.02.22

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Estamos perante um dia negro na História recente da Humanidade, que de humanidade nada tem. Somos a pior espécie que habita este planeta!

Nunca deveriamos ter reunido condições para evoluir até sermos Sapiens Sapiens. Talvez, se tivessemos ficado pelo Homo Sapiens Idalto, não possuíssemos a natureza que nos caracteriza. Somos asquerosos, mesquinhos, vis. Somos arrogantemente idiotas quando temos poder. Somos parceiros no mal. Carcereiros de nós próprios.

O Holocausto terminou com a libertação dos campos de concentração há 77 anos e não aprendemos nada. Faço-vos aqui uma confissão: nunca acreditei, verdadeiramente, que alguma vez conseguissemos evoluir e distanciarmo-nos do que nos levou àquele horror, sobretudo porque não somos empáticos, solidários, irmãos!

Assisto a isto todos os dias, nas pessoas que se atravessam no meu caminho. Consigo sentir a mediocridade, a insolência, a presunção, a ostentação, a avareza, o ridículo abuso do poderzinho. Sobretudo, a falta de inteligência.

E é tudo isto que está no espírito deste idiota que começa agora uma guerra.

Lamentável mas real, infelizmente.

 

 


Miguel Mósca Nunes

23.02.22

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Tenho uma estranha ligação ao Porto. Pouco entendível ou explicável, porque terá que ver com as emoções, e às vezes não é fácil explicar emoções.

Sinto que lhe pertenço, apesar de ter lá ficado instalado, pela primeira vez, em Dezembro de 2019. Calcorreei as suas ruas cheias de granito, de magníficos e opulentos edifícios antigos, onde se respira um aroma diferente. Um aroma a orgulho de ser portuense, a força, a luta, a pátria. E apaixonei-me.

Sinto um irressistível ímpeto para largar tudo e dela fazer morada da minha alma, o meu abrigo de cultura, com contornos barrocos, que tanto se vê na arquitectura de Nicolau Nasoni. Voltarei a subir à Torre dos Clérigos, apesar da claustrofobia e dos nervos, ajoelhar-me-ei na incrível Igreja da Misericórdia de fachada coroada, e ficarei inebriado pela Igreja de Santo Ildefonso.

Voltarei a regozijar-me com o ambiente e a comida do Piolho (Âncora d’Ouro) e da Santa Francesinha.

Um Porto seguro e sentido, com um velho casario que nos deslumbra.

Um dia mudo-me para lá.


Miguel Mósca Nunes

21.02.22

Imre Kertész, um escritor húngaro e sobrevivente do Holocausto, afirmou que “o problema de Auschwitz não é o de saber se devemos manter a sua memória ou metê-la numa gaveta da História. O verdadeiro problema de Auschwitz é a sua própria existência e, mesmo com a melhor vontade do mundo, ou com a pior, nada podemos fazer para mudar isso”.

Este é um bom resumo da monstruosidade que terminou há 77 anos. Não nos podemos esquecer de que, para além dos judeus, ciganos, polacos, comunistas, prisioneiros de guerra, soviéticos, deficientes, foram exterminados homossexuais.

Temos de nos interrogar sobre se a génese do pensamento nazi não está em nós e se a nossa natureza não é comum à dos que preconizaram a Solução Final, quando discriminamos alguém.

Vale a pena pensar nisto...


Miguel Mósca Nunes

21.02.22

Só neste país... Só neste país é necessário entrar num reality show para tentar reabilitar a carreira, contornar a precariedade, manter-se à tona. Um país que não merece os artistas que tem, talentosíssimos e de uma preserverança sobre-humana.

Quando noutros países os actores, cantores e humoristas, vão somando conquistas e novos projectos, os desgraçados dos portugueses vão desejando convites para participar em programas de dança ou para passar uns valentes meses enfiados na casa mais vigiada do país. Sou só eu que vejo o desvio às vocações desta gente? O desperdício de energia? O caminho tortuoso que muitas vezes não leva a lado nenhum? Uma tremenda injustiça?

Podemos pensar que é trabalho, que é um investimento para que o futuro possa ser melhor, para que haja mais visibilidade, para que novos projectos possam chegar. Ainda há quem acredite? Os repetentes nestes formatos (tantos que, passados anos, voltam a cair no ardil - a única diferença é que estão mais velhos) não serão a evidência de que isto tudo não passa de uma grande trituradora que os esgota, com muito poucas excepções à regra?

Vale a pena pensar nisto…


Miguel Mósca Nunes

20.02.22

Pois é... já lá vai quase um ano, depois da nossa participação no All Together Now. Uma participação, numa produção apressada, de duas pessoas que se querem encontrar na arte, num país tão pequenino em termos de mercado. O que retiro desta experiência, para além dos nervos, é a satisfação de ter partilhado o palco com a minha filha. De ter dado um passo para me mostrar enquanto artista. De ter tido essa coragem! De olhar para trás e ver que poderia ter escolhido outro caminho. Mas se o tivesse feito, não teria, com toda a certeza, os filhos que tenho, nem sequer a mulher que tenho. E isso é insubstituível! Não voltaria atrás para mudar alguma coisa, porque isso implicaria não ter comigo estas preciosidades.

Como disse noutro post, Portugal continua pequenino para abraçar a arte, a diferença e o talento que brota todos os dias, que se quer mostrar numa luta frenética, cansativa e pouco compensatória.

Vi e ouvi tantos artistas maravilhosos, vi naqueles olhos a esperança de que aquela pudesse ser "a oportunidade", senti tantos nervos de quem não queria falhar, de quem queria dar o seu melhor, porque aquela poderia ser "a oportunidade".

Senti-me pequenino perante tanto talento, a cada ensaio que me passava pelos olhos só pensava: "o que é que eu estou aqui a fazer?!".

Antes de subir ao palco, estava tão enervado e inseguro que fiquei apático. Quase sem reação perande a aparição, de surpresa, da minha mulher. Só pensava que já não podiamos voltar atrás. "Espero que a Rita esteja tranquila... Espero que lhe corra bem. E se me faltar a voz? E se me enganar na letra? E se desafinar?".

Entrei no palco, e às primeiras palavras cantadas, desapareceu tudo, excepto a preocupação com a Rita e o orgulho de estar ali com ela, a sentir o privilégio de dividir palco com um dos seres mais incríveis que conheço.


Miguel Mósca Nunes

18.02.22

Esta semana tem sido particularmente estranha mas ao mesmo tempo esclarecedora, com notícias sobre violência doméstica num programa de grande audiência na televisão nacional e com a divulgação de um estudo financiado pela Gulbenkian e elaborado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, concluindo que, em 2020, 61% dos inquiridos não leu um livro sequer, e que 90% ligam a TV todos os dias. Como factores principais para esta realidade, o estudo aponta a idade, o rendimento mensal e o grau de escolaridade.

O factor económico é, julgo eu, a principal razão para o afastamento dos portugueses dos livros, dos teatros, dos concertos e de outras manifestações culturais e não a de sermos uma cambada de acéfalos, sem opinião ou critérios, para quem basta ser entretido. Não será necessário dissertar sobre as consequências redutoras e empobrecedoras a vários níveis e a longo prazo, se a televisão continuar a ser só entretenimento. É mais fácil do que somar um mais um. O que nos vai safando é a nossa RTP 2.

Mas, meus queridos, como é mais provavel haver dinheiro para fazer um pudim do que para ir ao teatro, desta vez trago-vos uma receita que faz as delícias cá de casa, principamente dos meus filhos, que adoram esta simples, contudo magnífica, sobremesa.

 

Ingredientes

  • 2 ovos inteiros
  • 4 gemas
  • 1 lata de leite condensado (395g)
  • 450 ml de leite gordo
  • 200 g de açúcar e 200ml de água, para o caramelo

Nota: pode aromatizar com baunilha (essência).

Preparação

Leve ao lume o açúcar e a água e deixe ferver, sem mexer, até chegar à cor âmbar para um caramelo no ponto (não deixe escurecer para não correr o risco de queimar). Verta este preparado numa forma para pudim, cobrindo o fundo e as laterais. Nesta operação deverá utilizar luvas para não queimar as mãos.

Enquanto a forma arrefece, comece por ligar as gemas e os ovos inteiros, com o auxílio de uma colher (não utilize vara de arames para não incorporar ar). Noutro recipiente misture o leite gordo e o condensado. A esta mistura juntam-se os ovos, passando-os por um passador de rede fina. Mais uma vez utiliza-se uma colher, ou mesmo um salazar, para ligar.

Finalmente, verta a mistura para a forma, passando-a novamente pelo passador, e leve ao forno pré-aquecido a 160º, em banho-maria, durante uma hora e quinze minutos. Confirme se o pudim está no ponto ao inserir uma faca que deverá sair limpa. Deixe arrefecer e leve ao frio por quatro horas antes de desenformar.

Dica: ferva a água numa chaleira antes de a verter para o banho-maria, caso contrário é provável que tenha de aumentar o tempo de cozedura em cerca de vinte minutos. 

O segredo da textura uniforme deste pudim tem, definitivamente, que ver com estes passos fundamentais: a utilização de colher para misturar e o passador de rede fina. Nunca utilize varas de arames e muito menos um liquidificador.

Deliciem-se!


Miguel Mósca Nunes

16.02.22

 

Bolo de Natal 1.jpg

 

Já deu para perceber que eu sou louco pelo Natal e, como tal, não me canso de vos trazer receitas tradicionalmente natalícias, mas que se podem fazer em qualquer altura do ano. Esta é inspirada no bolo de Natal da Nigella, mas foi completamente alterada por mim, para o transformar no meu bolo de Natal. Um Christmas Cake divinal, sem necessidade de ser feito com uma semana de antecedência, como habitualmente estas receitas exigem, porque o processo é acelerado pelos 10 minutos de fervura, como vamos poder ver de seguida.

Ingredientes

250 g de ameixas cortadas
250 g de passas
250 g de avelãs
175 ml de mel
175 ml de vinho do Porto
Sumo de uma laranja
1 colher de sopa de canela
2 colheres de sopa de cacau
175 g de manteiga sem sal
175 g de açúcar mascavado escuro
3 ovos
150 g de farinha
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

Nota: uma colher de chá de sal faz toda a diferença

Preparação

Em termos de forma, podem utilizar uma redonda (20 cm de diâmetro), mas podem igualmente experimentar uma forma quadrada ou rectangular (aqui o tempo de cozedura poderá variar para menos, se a altura da massa for inferior), porque será mais fácil para fatiar.

A cozedura deste bolo é muito específica. Estamos a falar de duas horas de forno para uma temperatura de 150º. Mas antes disso, haverá um processo que passa pela panela.

Para proteger o topo do bolo convém forrar as laterais da forma com papel vegetal, tendo o cuidado de prolongar a altura da forma com o próprio papel, como podemos ver na imagem. Eu forro também o fundo da forma.

Junte as ameixas, as passas, o mel, o vinho do Porto, o sumo da laranja, a canela, o cacau, a manteiga e o açúcar numa panela e deixe aquecer a mistura até que atinja uma suave ebulição, mexendo à medida que a manteiga vai derretendo. Deixe ferver por 10 minutos, retire do lume para arrefecer por 30 minutos. O passo seguinte a este arrefecimento será a junção dos ovos, da farinha, das avelãs, do fermento e do bicarbonato, misturando até estar tudo bem ligado.

Verta esta massa na forma já preparada, e leve ao forno pré-aquecido a 150º.

Retire do forno após duas horas, podendo confirmar se está pronto quando um palito inserido no centro sair limpo. Desenforme depois de arrefecido.


Eis um delicioso bolo com um aroma e sabor inconfundíveis, que fará aquecer a alma mais fria e amolecer o coração mais empedernido.

Delicie-se!

 

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