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Lately

Histórias, opiniões, desabafos, receitas...

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Histórias, opiniões, desabafos, receitas...


Miguel Mósca Nunes

31.10.22

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Trago-vos a minha receita de borrego, ideal para estes dias mais frios que pedem uma comida de conforto. É hábito apresentar este prato no Dia de Todos os Santos (1 de Novembro) e no Dia de Acção de Graças (última quinta-feira de Novembro), ao jantar, para completo regozijo do pessoal cá de casa. Não dispensamos uma boa oportunidade para celebrarmos a vida.

 

Ingredientes:

  • uma peça de borrego com três quilos, aproximadamente
  • duas cebolas grandes (gosto de utilizar cebola doce)
  • seis dentes de alho
  • dois limões
  • três ramos de alecrim
  • uma colher de sopa de pimentão doce em pó
  • quatro folhas de louro
  • pimenta e sal
  • azeite e vinho branco quanto baste

 

Preparação:

Na véspera, faça uma marinada com os alhos descascados e cortados, os limões cortados em rodelas, os ramos de alecrim, o pimentão doce, as folhas de louro, a pimenta e o sal (nesta fase não carregue no sal, para poder ajustar quando levar ao forno), e junte o vinho branco, até cobrir a peça. Reserve - não se perde nada se ficar mais de 24 horas mergulhada neste tempero - há quem deixe até 48 horas.

Quando levar ao forno, pré-aquecido a 170º, retire o limão e os ramos de alecrim, junte o azeite, a cebola cortada em gomos, rectifique o sal e a pimenta, e deixe cozinhar por duas horas, aproximadamente, controlando a cor do borrego. Deverá ficar dourado e tostadinho.

Acompanhe com batatas assadas, a murro, esparregado ou legumes salteados, e com um bom tinto alentejano, ou, melhor ainda, um abafado, que pode muito bem ser o Mouchão licoroso, com fortes aromas a ameixa, compotas e especiarias. Imagine o que lhe fará, envolvido com os sabores da carne. Já experimentei, e é delicioso!

Aproveite a companhia dos que mais ama, numa mesa bem decorada e conversada.

Boas Festas!

 


Miguel Mósca Nunes

29.10.22

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Luís Osório falha, pelos vistos de forma inconsciente e irresponsável, ao mostrar-se contra a liberdade de expressão que tanto alardeia, contrariando, curiosamente, tantos outros "Postais do Dia", nos quais defende o contrário.

Gustavo Santos tem tanto direito a exprimir as suas opiniões como qualquer outra pessoa que utilize as plataformas ao seu alcance, como o programa da Júlia Pinheiro.

Esta falta de imparcialidade é grave, sobretudo vinda de um jornalista e escritor, que deveria ser um estímulo para o debate de ideias e um veículo para mostrar pontos de vista diferentes.

Por outro lado, não aprecio o menosprezo implícito, a inferiorização, o achincalhamento velado, com que LO fala de GS (legendando, o uso das iniciais serve mesmo para evidenciar que estão em pé de igualdade, e para parodiar a maneira como os "Postais do Dia" são assinados).

Talvez Luís Osório seja, para desgosto e desilusão de imensos admiradores seus, um idiota. Talvez seja, afinal, um oportunista, fazendo-se passar por muito mais inteligente, colhendo frutos daquilo que escreve, que é, afinal, uma amalgama de contradições.

Chega ao ponto de dizer que Júlia Pinheiro é «cumplice de um pensamento que, no limite, foi responsável pela morte ou internamento de homens e mulheres concretos». Gravíssima esta afirmação, para quem deveria ter bom-senso, e ser, supostamente, um defensor da investigação jornalistica séria, que manda ter atenção a todas as correntes de pensamento e todas as possibilidades, por mais absurdas que possam parecer. Fala em movimentos que querem o fim da democracia, por propalarem teorias negacionistas e fake news, mas está equivocado... aparentemente, não está a ser muito democrático.

O que dirá Luís Osório sobre a obscura controvérsia da Pfizer, ou relativamente ao facto de haver médicos que, contrariando as indicações do início da pandemia, estão a desaconselhar a toma de mais vacinas por doentes com determinadas patologias. O que dirá perante a falta de estatísticas precisas sobre a mortalidade, e respectivas causas, nos últimos dez anos? O que dirá por não se saber, efectivamente, porque é que a mortalidade aumentou em 2020, 2021 e 2022, se por causa da pandemia Covid ou pela falta de assistência médica às outras doenças, ou pelo facto de o SNS estar nas lonas devido ao desmantelamento dos últimos trinta anos.

Como exemplo sobre a falta de explicação dos números, o INE, em 13 de Novembro de 2020, publicou esta informação: «Entre 2 de Março, data em que foram diagnosticados os primeiros casos com a doença COVID-19 em Portugal, e 1 de Novembro, registaram-se 77 249 óbitos em território nacional, mais 8 686 óbitos do que a média, em período homólogo, dos últimos cinco anos. Destes, 29,3% (2 544) foram óbitos por COVID-19». Então, a que se devem os outros 6 142 óbitos?

Não dá.

Simplesmente, não dá.

 


Miguel Mósca Nunes

29.10.22

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Desta vez trago um livro que é muito especial para mim, sobretudo porque fui eu que o escrevi e é o primeiro que publico.

Trata-se de uma história que nasceu do Amor, porque é baseado numa fantasia que inventei para os meus filhos, quando eram pequenos.

Dois amigos, residentes na Malveira, vivem uma aventura fantástica e sobrenatural, que os leva a experiências por vezes aterradoras.

A minha ideia sempre foi a de apresentar uma narrativa despretensiosa, por vezes simples, acessível a uma camada jovem, mas que pudesse ser lida por gente mais madura. Julgo que pode ser lida por todos os que gostam de uma boa história com ingredientes referentes ao Halloween e ao Natal, embrulhada em mistério.

É também uma homenagem à Malveira, terra que me acolheu desde 2004, e, tenho quase a certeza absoluta, é a primeira história de ficção cuja acção decorre nesta vila.

Esclareço já que não sou nenhum santo, e quem pensa que tenho essa pretensão, ou que quero ascender a algum estado de beatificação, não é objecto da minha preocupação e não serve de travão para que eu expresse aquilo em que acredito. Por isso mesmo, reitero que o livro é um veículo para mensagens de empatia, igualdade de direitos, solidariedade, de abraçar a diferença, e da ideia fundamental de que a opinião dos outros não tem qualquer importância quando só serve para destruir os nossos sonhos.

Boas leituras e feliz Halloween (o mesmo será dizer, aproveitem o pouco tempo livre para amar)!


Miguel Mósca Nunes

28.10.22

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Para quem gosta do género, este é um óptimo exemplo de uma história de terror que se desenrola no espaço, num sistema estelar distante, e que deu origem a um filme realizado por Ridley Scott, em 1979. Um tremendo sucesso de bilheteira.

Vi o filme na minha adolescência, transmitido pela RTP 1, naquelas maravilhosas noites de cinema, e havia, desde logo, uma grande diferença relativamente a outros do género, sobretudo pela contribuição conceptual de Hans Rudolf Giger, o artista que desenhou a criatura e toda a imagética associada, que a 20th Century Fox rejeitara inicialmente. Por outro lado, a qualidade dos efeitos especiais e a sua gestão e utilização inteligentes, os sets vanguardistas e monumentais (nos Shepperton Studios em Londres, os de maiores dimensões da Europa na época, foi construído o interior da nave como um todo, com todos os seus compartimentos ligados), a banda-sonora de Jerry Goldsmith, e o estilo de realização, foram determinantes para compor esta obra-prima, de um impacto visual significativo e de um realismo impressionante. Tudo isto foi decisivo para diferenciar o filme de tudo o resto que se fazia na altura, e para o tornar um clássico.

Veronica Cartwright, que desempenha a personagem Lambert, disse que o realizador vai buscar muitas técnicas a Alfred Hitchcock, no sentido de que o espectador não vê tudo, sendo a imaginação a comandar o processo, e é isto que torna o filme tão aterrador.

Outra das razões do sucesso do filme reside no casting, que apostou em actores pouco conhecidos, com uma imagem pouco convencional, acabando por juntar um conjunto de extraordinários talentos. Sigourney Weaver, que não era uma grande estrela, foi a escolha perfeita para o papel de Ripley.

O acting inovador deixa transparecer uma direcção de actores que apela a uma técnica muito focada na esponteneidade e no improviso, fluindo para além do guião.

A história começa assim: a viagem do cargueiro espacial Nostromo e dos seus sete tripulantes adormecidos, de regresso à Terra, é subitamente interrompida por uma mensagem de socorro emitida de um planeta desconhecido. E, de acordo com o protocolo, terão de investigar a origem dessa mensagem. Este começo é suficiente para agarrar o espectador, que não vai querer parar de ver até ao último frame.

Não percam.

 


Miguel Mósca Nunes

26.10.22

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No aproximar da quadra natalícia, onde os valores da fraternidade, da inclusão e da igualdade devem ser exaltados, fazendo frente à vocação, curiosamente muito humana, segregacionista e discriminatória, “O Diário de Anne Frank” surge como uma excelente leitura, principalmente para os jovens, podendo ser um óptimo presente. Mesmo para os mais resistentes aos livros.

O relato do dia-a-dia, num período de mais de dois anos, de um conjunto de judeus, escondidos num exíguo anexo, atirados dessa forma para uma condição sub-humana de existência, escrito por uma jovem na transição para a fase da adolescência, torna-se particularmente violento e torturante, quando o leitor sabe que o destino provável é a morte daquela família às mãos dos nazis. Porque a história é sobejamente conhecida, e porque o terror do Holocausto foi real e implacável. Impiedoso.

Mas o que o livro encerra, verdadeiramente, é a terrível e actual ameaça de um acontecimento que germinou nos mais profundos sentimentos de ódio e de rejeição da diferença, que é transversal à História da Humanidade, e que teve uma das suas mais negras expressões no nazismo alemão, que começou a crescer na República de Weimar (logo após a Primeira Guerra do Séc. XX). Nos dias de hoje, os sinais de que não mudámos permanecem assustadoramente vivos.

A oposição entre o bem e o mal é patente nesta obra, nas palavras de uma jovem encarcerada, com o objectivo de fugir aos horrores dos campos de concentração (não conhecia as razões últimas – escapar ao extermínio), com todos os motivos para descrer no seu futuro, mas que mantinha uma centelha de esperança, e tinha o desejo de ser melhor, no meio daquele circunstancialismo: “(…) todos os dias resolvo ser melhor”.

Apesar de tudo, acreditava na bondade Humana.

Boas leituras e feliz Natal.


Miguel Mósca Nunes

20.10.22

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Emancipação não é objectificação, nunca!

As mulheres não nasceram para servir os maridos, para serem donas de casa e acabarem os seus dias em frente do lava-loiça ou do fogão. As nossas vidas, enquanto indivíduos, devem valer por si, devem ter a importância que a auto-determinação promove, e a vontade própria deve ser o motor das nossas escolhas, com consequências sociais e profissionais, ao invés das convenções e dos papéis que nos atribuem, e muito menos, do que esperam de nós.

Todos os direitos e prerrogativas devem assistir à mulher, fundamentados na igualdade relativamente aos homens. Mas há um mas. A emancipação não pode ser confundida com objectificação, e isto tem de ficar muito claro, sobretudo nas mentes das jovens, que confundem liberdade com o serem objecto da satisfação masculina,  através da coisificação dos seus corpos e da subjugação sexual. Uma coisa é ter um comportamento sexual igual aos dos homens, outra é a inferiorização, dando força ao sexismo que teima em não acabar.

Há uma clara e visível diferença, nomeadamente nas plataformas audio-visuais e nas redes sociais, entre a exposição masculina e feminina: os homens exibem-se, as mulheres vulnerabilizam-se e inferiorizam-se. Os homens mostram força. As mulheres mostram atributos físicos. A mensagem que passa é a de que os homens usam, as mulheres são usadas. 

A histórica inferioridade mantém-se assim, agarrada aos novos comportamentos, sob a capa da emancipação e, de forma velada, mostram que a mulher continua a sacrificar-se perante a hegemonia masculina. Temo que a legitimação para comportamentos dominadores e agressivos tenham como base esta realidade. Perpetuamos, sem nos apercebermos, mensagens subliminares que legitimam o jugo e o exercício de domínio e de violência sobre a mulher.

Até no envelhecimento, a mulher não é livre, tendo de se mutilar, injectar e encher de corpos estranhos, para se manter apetecível. Uma escravidão que eu não desejo para os meus.

Frank Outlaw disse:

«Cuidado com os seus pensamentos, pois tornam-se palavras.
Cuidado com as suas palavras, pois tornam-se acções.
Cuidado com as suas acções, pois tornam-se hábitos.
Cuidado com os seus hábitos, pois transformam-se no seu carácter.
E cuidado com seu carácter, pois será o seu destino.»

Se viram o filme "A Dama de Ferro", não esquecerão: "O que nós pensamos torna-se no que somos."

 

 

 

 

 


Miguel Mósca Nunes

19.10.22

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Este livro é escrito por quem, cada vez que vai a Almeirim, dorme no quarto que foi desta figura impar no panorama cultural português: D. Leonor de Almeida, 4.ª Marquesa de Alorna e 8.ª Condessa de Assumar.

O livro inicia a sua narrativa no dia 1 de Novembro de 1755, dia de Todos os Santos, o fatídico dia que mudou Lisboa para sempre, e retrata a vida desta mulher da alta nobreza portuguesa, que passou dezoito anos atrás das grades do convento de São Félix em Chelas por ser neta de Francisco de Assis de Távora, vítima da conspiração conhecida como o "Processo dos Távoras".

Mas nem esta vicissitude serviu para deter uma mentalidade extraordinária, um talento e sabedoria ímpares, características únicas na altura, sobretudo porque se trata de uma mulher, exaltando a força e a importância do feminino, do conhecimento e da cultura, como forma de se posicionar no mundo, tomar decisões e agir, em consciência.

Dobrou o infortúnio do cárcere através da leitura e da escrita. Voou, através do estudo, preparando-se para a etapa seguinte da sua vida - a liberdade.

Ter sido mãe de oito filhos, católica, poetisa, política, viajada, inteligente e sedutora, são ingredientes mais do que suficientes para a leitura deste livro apaixonante.


Miguel Mósca Nunes

17.10.22

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Nestes tempos conturbados de incerteza relativa aos Direitos Humanos, num contexto muito específico de pós-pandemia e de guerra, que nos faz pensar sobre o destino da Humanidade, deparamo-nos com o ressurgimento de movimentos extremistas motivados pelo ódio e pela intolerância, especificamente na Europa.

Torna-se urgente que olhemos de forma séria para a História recente (passaram apenas 77 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz) e tomemos consciência de que o mal anda por aí, insidioso e a preparar terreno para práticas inimaginavelmente crueis e horríveis. E isto, meus caros, poderá não ser um exagero.

Para que não nos esqueçamos, trago-vos este livro, de Esther Mucznik, que foi a Auschwitz pela primeira vez a 27 de Janeiro de 1994, e que descreve o universo concentracionário Nazi, isto é, a indústria de morte construída com o objectivo final de extermínio dos Judeus. 

Claro que os prisioneiros de Auschwitz eram políticos, opositores e resistentes, prisioneiros de guerra russos, criminosos, prostitutas, ciganos, deficientes, dementes, homossexuais e testemunhas de Jeová. Mas, efectivamente, o alvo principal do ódio Nazi e da “Solução Final” foram os Judeus.

Uma leitura obrigatória, perante os acontecimentos dos últimos tempos, para que mantenhamos os pés no lado bom da barricada, e os olhos bem abertos quando estivermos perante a face do mal.

Não nos podemos esquecer, porque acredito que ainda vamos a tempo.

Boas leituras.


Miguel Mósca Nunes

16.10.22

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Vou falar-vos de um assunto que está relacionado com o Natal, pelo facto de, em termos temporais, ter culminado em Dezembro. Mais precisamente, em 4 de Dezembro de 1980. Lembro-me deste dia como se fosse hoje, por ouvir o jornalista da RTP, Raúl Durão, anunciar uma tão chocante notícia ao país: a morte do então Primeiro-Ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro.

Numa quinta-feira fria de Dezembro, tinha eu acabado de jantar e estava sozinho em casa com a minha mãe. O meu pai chegaria mais tarde por estar ainda a trabalhar. E aquela imagem televisiva a preto-e-branco ficou impressa na mimha memória. Esta é a explicação para o fascínio que me levou a ler, nestes últimos tempos e de forma compulsiva, cinco livros, que recomendo convictamente, para quem quer perceber um pouco melhor as sinuosidades da política portuguesa e mundial, e a história recente do nosso país.

Refiro-me, por ordem cronológica de leitura, aos seguintes títulos: "Francisco Sá Carneiro, Solidão e Poder", de Maria João Avillez, "Snu e a Vida Privada com Sá Carneiro", de Cândida Pinto, "Sá Carneiro", de Miguel Pinheiro, "Camarate, Sá Carneiro e as Armas para o Irão", de Frederico Duarte Carvalho e, finalmente, "Camarate", de Augusto Cid.

Leituras fascinantes estas, sobre o percurso de vida desta figura marcante, que atravessou a ditadura de forma quase invisível, até chegar a deputado da Ala Liberal, na Assembleia Nacional, em 1969, com intervenções marcadamente anti-regime, e depois a Primeiro-Ministro e ao fatídico dia 4 de Dezembro, numa altura em que o país estava ainda num processo de adaptação à democrecia, com o poder dos militares a fazer-se sentir, nomeadamente através do Conselho da Revolução. Leituras que relatam, sobretudo, as dificuldades que atravessou, o incómodo que a sua forte personalidade gerou, as intrigas e as traições por parte dos seus opositores, e dissidentes no seu próprio partido.

E, por outro lado, quem não aprecia um bom romance, este muito ricamente retratado por Cândida Pinto.

E que dirão os leitores sobre a conclusão a que se chegou, após sucessivas Comissões de Inquérito Parlamentar ao caso Camarate: ficou provado que se tratou de atentado, embora não tenham sido determinados os culpados.

E que curiosos são os indícios de participação de militares portugueses e da CIA no atentado, cujo móbil seria o tráfico de armas para o Irão (embora a última Comissão de Inquérito não tenha conseguido estabelecer um nexo de causalidade entre o atentado, o referido tráfico e a intervenção da CIA). Há rumores da ligação do Fundo de Defesa Militar do Ultramar a esta actividade, negada em entrevista ao Diário de Notícias, pelo General Ramalho Eanes, responsável institucional pelo referido organismo entre 1976 e finais de 1980 (ano em que foi extinto). O General reiterou que, naquele período, não foram assumidos quaisquer compromissos confidenciais, e que o fundo não serviu, após o 25 de Abril, para comprar ou vender armamento. A ligação ao tráfico de armas justificaria o interesse na eliminação de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, já que estes dois estariam a investigar e a preparar-se para denunciar essa situação.

Muitos outros e surpreendentes indícios são revelados, argumentos de peso para suscitar a curiosidade dos leitores.

E que vontade tenho de saber como está agora o magnífico apartamento da Rua D. João V, onde viveram maritalmente Snu e Francisco. Coisa dificílima, que não me parece que alguma vez seja concretizável, embora mantenha uma acesa esperança.


Miguel Mósca Nunes

15.10.22

Gerações de políticos passaram pelos sucessivos governos constitucionais do pós 25 de Abril. Responsáveis pela situação em que nos encontramos agora! Mas não nos excluamos de responsabilidades, porque eu só encontro uma explicação para que os tenhamos eleito: a nossa ignorância, incompetência e laxismo que levou, sobretudo, à nossa falta de ética de voto, isto é, sempre votámos sem querer saber o que estávamos realmente a fazer.

Votávamos pela cor política, pela simpatia dos abutres que acenam aos deslumbrados pelo populismo, nos cortejos de campanha de rua.

Vergonha sinto por este triste país, fadado para coisas pequeninas, levado ao engano por gente que arregala os olhos quando cheira o poder, e dilui a sua integridade quando não prescinde de se sentar, mesquinhamente contente, no banco de trás de um carro com motorista acabado de ser comprado às custas da coisa pública... quando tem o vislumbre de estar a substituir o prato na mesa de um filho, cuja mãe se prostitui por ter perdido o sustento, pelo calor do estofo saído da fábrica!

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