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Lately

Histórias, opiniões, desabafos, receitas...

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Miguel Mósca Nunes

29.05.23

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Este prato já foi servido várias vezes, fétido, mas, ao contrário do que seria normal, por mais podre que a galamba esteja, ninguém a manda para trás, não refilam com o cozinheiro, nem sequer escrevem no livro de reclamações.

O histórico deste estimável marisco da cena política nacional é, no mínimo, de fazer comichão no nariz de gente de bem, atenta e perspicaz, que numa primeira vez se deixaria enganar, mas que à segunda já não, e muito menos à terceira, porque a reacção alérgica é grande.

Esta Galamba que, quando a lagosta andava em estado de graça, a bajulava, e até lhe reencaminhou um SMS de aviso sobre a Operação Marquês. A mesma Galamba que a rejeitou quando caiu em desgraça.

Não deixa de ser extraordinária, a conferência de imprensa dada, na urgência de justificar a saída de um computador, numa espécie de oração a Nossa Senhora dos Aflitos, para ver se se conseguiria mitigar a tempestade que viria por aí, e antecipar o que o ex-adjunto poderia fazer nos dias que se seguiriam. Não deixa de ser, igualmente, extraodrinária, a presunção de que esta fantochada poderia enganar a opinião pública.

O cheiro a podre da galamba, indício claro de que está estragada, já vem de trás... não falando na fase socrática, vem desde aquela famosa e tumultuosa entrevista, competentemente conduzida por Sandra Felgueiras (que no final, curiosamente, lhe pergunta se acha que tem condições para continuar à frente da Secretaria de Estado da Energia), na qual demonstrou que escolheu não levar em conta indícios de corrupção.

Nunca soube de nada, não ouviu nada, e continua a nadar na caldeirada, num redemoinho de intrigas e falácias. O que sobra disto tudo é a má-gestão dos dinheiros públicos e o descaramento de se manter em funções.

O governo é daqueles restaurantes que serve, sucessivamente, mariscadas estragadas... e não despede o cozinheiro!


Miguel Mósca Nunes

24.05.23

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Morreu Tina.

A mulher revolucionária, que se emancipou quando ninguém pensaria que seria possível, numa indústria que vangloria a juventude e despreza o que é maduro. Neste nosso país, uma roqueira quarentona não teria qualquer hipótese, nem hoje e muito menos nos anos 80. Quebrou, portanto, com o idadismo que a levaria a não tomar qualquer iniciativa para recomeçar. Estava nos Estados Unidos (ali, a idade não é tão derrotante), mas era, sobretudo, Tina. E por ser Tina, concretizou o maior regresso alguma vez visto na história da música, com o álbum Private Dancer. Aos 44 anos.

Deu com os pés num marido abusivo, que a esmurrava e humilhava, mesmo na presença dos filhos, deixando para trás todos os direitos de meia vida em cima de um palco suado, exigindo apenas o nome: Turner.

Esta mulher negra, nos anos 70 do século passado (1976), teve a coragem de devolver, ao monstro que a maltratou durante anos, uns valentes golpes (foram poucos), de o abandonar no hotel onde ambos estavam hospedados, e entrar numa perplexa recepção de hotel do outro lado da rua, de cara intumescida e ensanguentada, para pedir que a deixassem ficar só por aquela noite.

Entre 1976 e 1983, um período apelidado por muitos de nostálgico, foi insistindo e continuando a suar em cima do palco, com uma garra inigualável, até que lançou o cover Let's Stay Together, de Al Green, acendendo de novo o sucesso. Já não era, há muito, a Tina do Ike.

Dotada de uma voz poderosa mas muito característica, sublimou o seu passado para o transformar num futuro que se revelou generoso. Sozinha, procurou uma identidade artística que se afirmou com What's Love Got to Do with It, ainda que fosse uma canção previamente gravada pelo grupo Bucks Fizz. E foi assim até se retirar. Inconfundível.

Tina Turner é mais uma referência que desaparece, um monumento cantado da minha contemporaneidade. As memórias da minha adolescência estão a esvair-se, com estas perdas sucessivas que fazem com que eu tenha o vislumbre do meu próprio fim.

 

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