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Lately

Histórias, opiniões, desabafos, receitas...

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Histórias, opiniões, desabafos, receitas...


O Contador de Histórias

10.11.22

Harry Styles 2.jpg

Harry Styles é uma lufada de ar fresco no panorama musical deste nosso mundo tão preconceituoso e tacanho. Não propriamente pela música que faz, mas pela imagem que tem. Este cantor reune uma série de características visuais que emitem mensagens constantes de uma importância fundamental nos dias de hoje. Diz-nos constantemente para não nos preocuparmos com convenções, com regras de vestuário, com a opinião alheia, com a forma como os outros nos vêem. Diz-nos que é importante sermos o que quisermos ser.

Afirmou, em tempos, que teve uma grande infância e o apoio incondicional dos seus pais. Foi encorajado pela mãe a participar no programa The X Factor, levando o tema Isn't She Lovely, de Stevie Wonder para as audições, e foi com a ajuda de Simon Cowell que formou o grupo One Direction.

Adora pintar as unhas de várias cores, usar pérolas, folhos, transparências e rendas.

Esta postura terá a ver com o modo como cresceu, como foi educado, com a influência dos pais, com a relativa importância que sempre foi dada aos costumes, com o ambiente em que esteve inserido desde cedo. E tudo isto é suficiente para ter como resultado um adulto resoluto, dono do seu nariz, que segue a sua intuição e não permite que as criticas o desviem da sua essência.

E isto, meus caros, é o mais importante para sermos felizes.

 

 

 

 


O Contador de Histórias

10.11.22

Gal-Costa.jpg

Gal morreu.

Aquela que se estreou ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia.

Aquela que melhor cantou Desafinado, de António Carlos Jobim, e que cantou Nada Mais, a sua versão de Lately, de Stevie Wonder, levando-nos a níveis celestiais de alegria e júbilo. Era inigualável.

Aquela que registou dos melhores duetos musicais, com Jorge Ben no tema Que Pena, com Tim Maia em Dia de Domingo, com Bethânia em Sonho Meu, ou com Chico Buarque no incrível Samba do Grande Amor.

Aquela que acreditava numa conexão espiritual entre os seres humanos, e que esperava ter uma existência para lá da sua morte.

Aquela que nunca engravidou por ter uma obstrução nas trompas, e que adoptou uma criança, resgatada, assim, da probreza e da miséria.

Aquela que, em 1975, gravou Modinha para Gabriela, para a abertura da telenovela da Rede Globo Gabriela.

Aquela que cantou, de forma absolutamente visceral, Aguarela do Brasil e Festa do Interior.

Aquela que cantou, de forma absolutamente sublime, Força Estranha.

Aquela que, nos anos 80, recuperou da sabotagem de um projecto, Fantasia, previsto para estar em cena durantes muitos meses no Canecão, sendo um fiasco porque, na estreia, e após três dias de ensaios, a mesa de som estava completamente desmarcada, e todos os canais trocados.

Aquela que, em 1994, acidentalmente, mostrou as mamas, num espectáculo de Gerald Thomas e, ainda assim, não parou de cantar.

Aquela que sempre se assumiu como bissexual.

Marília Gabriela disse, numa entrevista à cantora, que a memória musical de toda uma geração passa, consistentemente, pela voz de Gal Costa. A memória viva musical dessa geração. É verdade, porque essa voz de soprano brilhante, límpida, suave e potente, é inesquecível.

Morreu Gal Costa, a Voz do Brasil.

 


O Contador de Histórias

09.11.22

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Sim, já cheira a Natal!

Cá em casa há aroma a canela e erva-doce, das duas fornadas de broas dos últimos dias. Mas o mais importante é o Espírito de Natal, que eu espero vir a sentir este ano. Quero sentir a calma, o apaziguamento, o entregar os pontos, um sentimento que me preenchia todos os anos e que, nos últmos anos, tem andado ausente.

Quero sentir que, apesar de todos os contratempos, de todo o rebuliço, de toda a azáfama, o que é mesmo importante é o Amor, são as pessoas que amamos e a marca que nelas deixamos.

O Natal é uma época de partilha, em que abrimos os nossos corações.

 


O Contador de Histórias

05.11.22

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Ontem, no parlamento francês, um deputado da extrema-direita gritou, sem qualquer pudor, uma frase nojenta, muito comum nos dias de hoje e de ontem: "Volta para África!". Ouvi isto, e o célebre "volta para a tua terra", com alguma frequência, da boca de muita gente com quem contactei ao longo da minha existência.

Marine Le Pen apressou-se a suavizar esta demonstração de racismo e de xenofobia, ou dourar a pílula, como quiserem, alegando que o seu protégé não estava a referir-se ao deputado Carlos Martens Bilongo, mas aos refugiados do Norte de África. Uma desculpa que não colhe.

Com o argumento de que a intenção foi a de dizer “Eles que voltem para África!” ("Qu'ils retournent en Afrique!" em vez de "Qu'il retourne en Afrique!"), estão a branquear o inadmissível!

De qualquer forma, de acordo com o Observador, «a transcrição oficial dos trabalhos da Assembleia da República também interpretou a tirada no singular, ou seja, oficialmente o que ficou registado como tendo sido dito por Grégoire de Fournas foi “Ele que volte para África!”, em referência ao deputado da LFI».

Não há maneira de suavizar esta tirada porque ela encerra um desejo de aniquilação, de eliminação, que não podemos esconder nem desculpar. Quando dizemos isto, estamos a querer que o alvo deste desejo saia da nossa esfera de existência, que deixe de estar vivo na nossa realidade. Falamos de seres humanos que queremos excluir, fazer desaparecer. Chama-se a isto xenofobia! Estamos a falar da mesma coisa que originou o Holocausto!

Nas fotos que encimam este post vemos a dicotomia entre o bem e o mal. E a luta é cada vez mais visível.

Vale a pena pensar nisto.

 

 


O Contador de Histórias

04.11.22

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A violência obstétrica existe! E eu sei, porque aconteceu connosco, há vinte anos atrás.

23 de Setembro de 2002, uma hora da madrugada. Dores, que tinham começado na véspera, por volta das nove horas da manhã. 

 - Vamos já para a maternidade? 

 - Não. Vamos esperar e continuar a controlar o tempo entre contracções. - Já lá tínhamos estado às dezassete horas do dia anterior e mandaram-nos embora. A especialista* de preparação para o parto enchera-nos os ouvidos, a dizer que seria muito melhor aguardar em casa, porque entrando na box seria uma espera mais difícil.

 - Ok, vamos tentar dormir mais um pouco.

Às três da manhã, as dores estavam mais fortes e fizeram-nos levantar e arrancar, novamente, para a maternidade. Assim ficariamos mais perto.

Às cinco, a minha mulher estava a vomitar numa rua contígua à Maternidade Alfredo da Costa, ao mesmo tempo que passava um carro-patrulha da Polícia de Segurança Pública, com um trio de agentes espantados. A partir daqui, e nesta sequência absurda de eventos, o nascimento da nossa filha tornou-se uma viagem muito pouco digna de um país civilizado.

Após mais algum tempo de hesitação para entrar nas urgências, com a ideia de que quanto mais tarde, melhor, a martelar nas nossas cabeças, e por não aguentar de dores, lá deu entrada a grávida, a desamparada e muito bem adestrada grávida, às oito da manhã. Só me foi permitido ir para junto da minha mulher às dezoito horas - chamo a isto alienação parental no parto.

Depois de mais de vinte e quatro horas de trabalho de parto, com uma epidural dada ao meio-dia, que entretanto perdeu efeito, sem possibilidade de ser realizada uma cesariana (bloco operatório entupido) e sem a presença de um médico, nasceu a minha filha, às vinte e duas horas e quinze minutos, pelas mãos de uma enfermeira-parteira de quem não recordo o nome, mas que teve um papel essencial para que aquele ser saísse rapidamente da barriga da mãe antes de asfixiar até à morte.

Não houve capacidade, precisamente por falta de meios, para perceber que a minha filha tinha o cordão umbilical em dupla circular à volta do pescoço,  o que fez com que o parto se tivesse, perigosamente, prolongado. Não é necessário adjectivar o que a minha mulher passou, pois não?

Isto aconteceu porque os serviços de obstetrícia eram manifestamente insuficientes, e estavam entupidos de mulheres a precisar de parir, com um bloco operatório cheio, com falta de pessoal médico e meios para acudir às situações críticas.

Aquele ser maravilhoso, na sequência de um parto surreal, foi internado nos cuidados intensivos com um prognóstico reservado que indicava menos de 50% de hipóteses de sobreviver. Contudo, esses cuidados intensivos, com a ajuda determinante de Deus, salvaram-na. Saiu, milagrosamente, daquele lugar, passados dez dias.

Um lugar onde não existem urgências dignas, e em que as parideiras ficam horas à espera, a gritar de dor. Não havia necessidade, tendo em conta a gravidez maravilhosa. Naquela UCI, os profissionais de saúde fizeram tudo o que tinham ao seu alcance, com tão poucos meios e recursos. 

A Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto (APDMGP) refere o seguinte: «Apesar de bastante comum, a violência obstétrica continua a ser uma forma de violência pouco reconhecida. A violência obstétrica é a violência contra as mulheres no contexto da assistência à gravidez, parto e pós-parto. As formas mais correntes de violência obstétrica incluem abusos físicos ou verbais, práticas invasivas, uso desnecessário de medicação, intervenções médicas não consentidas, humilhação, desumanização e recusa de assistência ou negligência pelas necessidades da mulher». Contudo, é fundamental reforçar que este conceito contempla a violência obstétrica sistémica, isto é, a ausência de condições materiais e humanas que promovam uma assistência na gravidez, no parto e pós-parto, segura e digna.

Diz ainda que «O inquérito "Experiências de Parto em Portugal", realizado pela APDMGP e ao qual responderam mais de 3.800 mulheres, revela que 43,5% das mulheres inquiridas não tiveram o parto que queriam».**

Das conclusões do referido inquérito pode ler-se que «mais de um décimo das mulheres não se sentiu respeitada pelos profissionais de saúde, mais de um décimo considerou que os profissionais de saúde não comunicaram de forma afável e positiva, 14,3% referem não ter sido ouvidas no que tinham a dizer/pedir, 15,3 % não se sentiram seguras durante o parto e 13% não se sentiram apoiadas e cuidadas». No nosso caso, quem assistiu ao parto não poderia, nunca, fazer melhor, dadas as circunstâncias em que estávamos, todos, envolvidos. Reitero que fomos sujeitos a uma ausência de cuidados, a uma falta de assistência, que é sistémica.

Perante os recentes acontecimentos, relacionados com a crise nas urgências de obstetrícia, temo que as condições precárias do Serviço Nacional de Saúde tenham piorado, aumentando significativamente o risco de violência obstétrica, com consequências que podem ser muito graves.

Vinte anos depois...

* enfermeira que nos deu as aulas de preparação para o parto (o mesmo que "lavagem cerebral para não darmos muito trabalho ao pessoal da MAC"), curiosamente, num apartamento convertido em gabinetes, situado perto da Maternidade Alfredo da Costa. Esta criatura verbalizava muitas vezes que não valia a pena gritar...

**  inquérito realizado em 2015.


O Contador de Histórias

03.11.22

Porque o tempo está a esfriar e sabe sempre bem empanturrarmo-nos enquanto assistimos a um belo filme, sentados confortavelmente no sofá, de pantufas e embrulhadinhos numa manta, vamos a uma receita deliciosa e que não vos vai partir os dentes, porque é feita com farinha de aveia (não tem trigo) e mesmo que a batam em demasia, não tem como resultado umas bolachas rijas como cornos (isto significa que, se utilizarem trigo, não devem bater muito a massa após juntarem a farinha).

O ingrediente mais importante desta receita é o cacau, que vai servir para intensificar os sabores de todos os outros (é o que acontece com o café, que serve para realçar o sabor, por exemplo, do chocolate).

Ingredientes

  • 110 g de manteiga com sal, à temperatura ambiente
  • 1 chávena de açúcar amarelo ou mascavado claro
  • 1 ovo grande
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1 chávena de farinha de aveia
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 2 chávenas de aveia em flocos grossos
  • 1/2 chávena de coco em ralado
  • 20 g de cacau em pó
  • 200 g de nozes (podem ser pecan)

Preparação

Na batedeira, junte a manteiga com o açúcar e bata por 4 minutos até formar um creme claro e fofo. Acrescente o ovo e a baunilha e bata novamente por mais 2 minutos. Acrescente a farinha de aveia misturada com o bicarbonato de sódio, os flocos de aveia, o coco e o cacau e misture com uma espátula até que esteja tudo ligado. Se a massa ainda não permitir ser moldada, por não ter a consistência desejada, junte um pouco mais de farinha.

Pré-aqueça o forno a 180˚C.

Faça bolas com as mãos, coloque-as num tabuleiro, e leve ao forno por 10 a 15 minutos até dourarem.

 


O Contador de Histórias

31.10.22

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Trago-vos a minha receita de borrego, ideal para estes dias mais frios que pedem uma comida de conforto. É hábito apresentar este prato no Dia de Todos os Santos (1 de Novembro) e no Dia de Acção de Graças (última quinta-feira de Novembro), ao jantar, para completo regozijo do pessoal cá de casa. Não dispensamos uma boa oportunidade para celebrarmos a vida.

 

Ingredientes:

  • uma peça de borrego com três quilos, aproximadamente
  • duas cebolas grandes (gosto de utilizar cebola doce)
  • seis dentes de alho
  • dois limões
  • três ramos de alecrim
  • uma colher de sopa de pimentão doce em pó
  • quatro folhas de louro
  • pimenta e sal
  • azeite e vinho branco quanto baste

 

Preparação:

Na véspera, faça uma marinada com os alhos descascados e cortados, os limões cortados em rodelas, os ramos de alecrim, o pimentão doce, as folhas de louro, a pimenta e o sal (nesta fase não carregue no sal, para poder ajustar quando levar ao forno), e junte o vinho branco, até cobrir a peça. Reserve - não se perde nada se ficar mais de 24 horas mergulhada neste tempero - há quem deixe até 48 horas.

Quando levar ao forno, pré-aquecido a 170º, retire o limão e os ramos de alecrim, junte o azeite, a cebola cortada em gomos, rectifique o sal e a pimenta, e deixe cozinhar por duas horas, aproximadamente, controlando a cor do borrego. Deverá ficar dourado e tostadinho.

Acompanhe com batatas assadas, a murro, esparregado ou legumes salteados, e com um bom tinto alentejano, ou, melhor ainda, um abafado, que pode muito bem ser o Mouchão licoroso, com fortes aromas a ameixa, compotas e especiarias. Imagine o que lhe fará, envolvido com os sabores da carne. Já experimentei, e é delicioso!

Aproveite a companhia dos que mais ama, numa mesa bem decorada e conversada.

Boas Festas!

 


O Contador de Histórias

29.10.22

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Luís Osório falha, pelos vistos de forma inconsciente e irresponsável, ao mostrar-se contra a liberdade de expressão que tanto alardeia, contrariando, curiosamente, tantos outros "Postais do Dia", nos quais defende o contrário.

Gustavo Santos tem tanto direito a exprimir as suas opiniões como qualquer outra pessoa que utilize as plataformas ao seu alcance, como o programa da Júlia Pinheiro.

Esta falta de imparcialidade é grave, sobretudo vinda de um jornalista e escritor, que deveria ser um estímulo para o debate de ideias e um veículo para mostrar pontos de vista diferentes.

Por outro lado, não aprecio o menosprezo implícito, a inferiorização, o achincalhamento velado, com que LO fala de GS (legendando, o uso das iniciais serve mesmo para evidenciar que estão em pé de igualdade, e para parodiar a maneira como os "Postais do Dia" são assinados).

Talvez Luís Osório seja, para desgosto e desilusão de imensos admiradores seus, um idiota. Talvez seja, afinal, um oportunista, fazendo-se passar por muito mais inteligente, colhendo frutos daquilo que escreve, que é, afinal, uma amalgama de contradições.

Chega ao ponto de dizer que Júlia Pinheiro é «cumplice de um pensamento que, no limite, foi responsável pela morte ou internamento de homens e mulheres concretos». Gravíssima esta afirmação, para quem deveria ter bom-senso, e ser, supostamente, um defensor da investigação jornalistica séria, que manda ter atenção a todas as correntes de pensamento e todas as possibilidades, por mais absurdas que possam parecer. Fala em movimentos que querem o fim da democracia, por propalarem teorias negacionistas e fake news, mas está equivocado... aparentemente, não está a ser muito democrático.

O que dirá Luís Osório sobre a obscura controvérsia da Pfizer, ou relativamente ao facto de haver médicos que, contrariando as indicações do início da pandemia, estão a desaconselhar a toma de mais vacinas por doentes com determinadas patologias. O que dirá perante a falta de estatísticas precisas sobre a mortalidade, e respectivas causas, nos últimos dez anos? O que dirá por não se saber, efectivamente, porque é que a mortalidade aumentou em 2020, 2021 e 2022, se por causa da pandemia Covid ou pela falta de assistência médica às outras doenças, ou pelo facto de o SNS estar nas lonas devido ao desmantelamento dos últimos trinta anos.

Como exemplo sobre a falta de explicação dos números, o INE, em 13 de Novembro de 2020, publicou esta informação: «Entre 2 de Março, data em que foram diagnosticados os primeiros casos com a doença COVID-19 em Portugal, e 1 de Novembro, registaram-se 77 249 óbitos em território nacional, mais 8 686 óbitos do que a média, em período homólogo, dos últimos cinco anos. Destes, 29,3% (2 544) foram óbitos por COVID-19». Então, a que se devem os outros 6 142 óbitos?

Não dá.

Simplesmente, não dá.

 

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