Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Lately

Histórias, opiniões, desabafos, receitas...

Lately

Histórias, opiniões, desabafos, receitas...


Miguel Mósca Nunes

29.02.24

 

Ontem, ao explorar as fotos que tenho guardadas no google, deparei-me com algumas que acordaram a nostalgia e trouxeram uma saudade de me deixar de lágrimas nos olhos.

Fotos dos meus filhos, pequeninos, que me remetem para um tempo de tranquilidade e de idílio, quando saía do trabalho para os ir buscar, e regressávamos todos a casa, para tomar banho, jantar e depois lermos histórias ao deitar. Um tempo em que eu rejeitava sujeitar os meus filhos aos fastidiosos trabalhos de casa, porque sempre entendi que o ensino se esgotava na escola e não deveria tomar tempo aos pais, que precisam de estar com as suas crianças sem obrigações e sem condicionalismos. São crianças e precisam de tempos livres.

Hoje em dia fala-se tanto na conciliação da vida laboral e familiar mas esta lógica também se aplica às crianças, que precisam de brincar, de descansar, de pausar em relação às suas obrigações escolares, e de estar com os seus pais de uma forma descontraída. Contudo, parece que não há entendimento neste sentido. Os professores exigem que os pais entrem forçosamente na equação do ensino, e sejam responsáveis pelo prolongamento do estudo nas suas casas. Um absurdo, quando todos nós sabemos que chegamos a casa estafados e do que mais precisamos é de relaxar.

Como fui sempre contra isto, e um fervoroso crítico dos professores, sobretudo porque a minha experiência com eles nunca foi positiva, salvo raríssimas excepções, a minha postura sempre foi a de reduzir ao mínimo o disparate dos TPC. A estratégia foi a de aproveitar o ATL e os centros de estudo por onde os meus filhos passaram.

Juro que me estou a segurar nas críticas aos professores, mas não posso deixar de referir que os que encontrei pela frente deixaram muito a desejar nas suas capacidades técnicas e pedagógicas, para não falar daquelas que fazem um bom professor: bom-senso, empatia, imaginação, o tratar todos os alunos por igual e tentar estimular todos da mesma forma, não ter preferências, não discriminar, não diminuir os que têm mais dificuldades, e, sobretudo, gostar daquilo que se faz... gostar é pouco. Ser um apaixonado na sua missão!

Lembro-me sempre de uma história exemplar e ilustrativa do que acabo de escrever, que se passou comigo. Sempre fui um péssimo aluno a matemática, sobretudo porque a minha primária foi horrível, com uma professora que era uma imbecil, e que fazia das aulas um terror. Mas quando passei para a Escola Fernando Pessoa, nos Olivais, para aquilo a que agora se chama o quinto ano, e aproveitando a mudança, toda uma novidade, resolvi dar uma segunda oportunidade à matemática, que se veio a revelar a última. Foi a última porque, já no segundo período, lá consegui uma nota positiva num teste. Queria ter bons resultados, estava a gostar da matéria, e esforcei-me com gosto.

O que é que a idiota da professora fez? Quando me entregou o teste, à frente da turma inteira, disse que eu copiara ou cabulara para atingir aquele resultado. Aquela besta, em vez de aproveitar o momento para ganhar um aluno, perdeu-o para sempre. Infelizmente, há exemplos destes a rodos, de gente que não honra uma profissão tão especial e sensível.

Voltando às memórias que me deixaram de lágrimas nos olhos, ontem vi fotos dos meus queridos filhos ilustrativas de um tempo mágico que não volta mais.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub