O Contador de Histórias
11.12.25
É assim que me sinto. No topo da montanha.
Aqui, com uma leve brisa a acariciar-me a face e a trazer o cheiro de um final de dia húmido e ligeiramente frio, posso olhar para trás, para o que já passou, com a medida do inexorável tempo que já correu a galope. Vejo tudo com claridade, todos os eventos, todas as conquistas, todas as perdas. Tudo isto me comove, como se de um filme se tratasse. Um filme sobre o que poderia ter sido e não fui. Se não fossem os maravilhosos seres que fizeram brilhar um outro lado de mim, não sei como seria.
Daqui, também consigo ver lá muito à frente. O horizonte surge de outra perspectiva. Estando eu mais elevado, consigo alcançar muito mais... talvez o fim desta existência. Parece que vejo o dia e a hora marcada.
Não tenho muita esperança na humanidade, neste mundo que está contaminado por gente que não tem muito valor. A bondade e a empatia escasseia.
Estamos a correr para longe do Bem, da fraternidade, de tudo o que deveria contribuir para a felicidade global. É tão bom estarmos em paz, connosco e com os outros. Seria tão bom...
Nestes termos, afiguram-se tempos muito difíceis, a avaliar pelo que neste momento estamos a tolerar e a admitir. Estamos a arrasar o legado de uma civilização que até há bem pouco tempo parecia estar a dar sinais de progresso.
Acho que nem o Natal nos salva...



Para quem leu, há muitos anos, este enredo policial escrito pela magnífica Agatha Christie, é um enorme prazer revisitá-lo.



