O Contador de Histórias
03.06.25

Isto é tão estúpido, esta nossa existência é tão precária. O nosso corpo tão frágil, tão incapaz e tão incompetente perante o nosso espírito, a longevidade da nossa alma. Eu já disse isto inúmeras vezes, não somos o nosso corpo mas sim o espírito que nele habita. Só que este arrendamento é de muito curta duração perante a eternidade do inquilino. Não é justo termos de nos despedir dos que cá ficam, só porque o nosso corpo entra em falência e colapsa, só porque a casa acaba por cair aos bocados.
O que farão os nossos filhos sem a nossa presença? Ficarão bem? É este o meu maior medo, porque vou deixar de os amparar, de estar cá para os ouvir.
A única coisa que me consola é a certeza de que nos vamos encontrar na outra dimensão e numa próxima existência terrena.
Imagem: Pintura de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) retratando a alma de um indivíduo sendo carregada até ao céu por dois anjos após a morte do indivíduo