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Lately

Histórias, opiniões, desabafos, receitas...

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Histórias, opiniões, desabafos, receitas...


Miguel Mósca Nunes

06.12.22

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Esta torta maravilhosa é excelente para fazer parte da mesa de Natal. Uma torta saborosa, com um intenso aroma a laranja, requintada e com uma textura suave, vai enriquecer a lista de doçaria para a consoada.

O Marco tem aqui um ex-líbris das suas receitas, que me faz lembrar as noites de Natal da minha adolescência, quando os convidados já se tinham ido embora, e ficava a ver a programação da RTP, e a comer as iguarias dispostas numa mesa em tons de vermelho.

 

Ingredientes:

  • 500 g de açúcar
  • 50 g de farinha
  • 15 g de fermento em pó
  • 2 laranjas grandes (raspa e sumo)
  • 12 ovos

 

Preparação:

Misture o açucar, a farinha e o fermento e adicione a raspa e o sumo das laranjas. Mexa bem.

Junte depois os ovos e misture muito bem.

Forre um tabuleiro com papel vegetal e unte o papel com manteiga.

Verta o preparado na forma e leve a cozer, em banho-maria, em forno pré-aquecido a 220 graus, por, aproximadamente, 30 minutos. Sugiro que ferva a água para controlar melhor o tempo de cozedura.

Retire do forno, desenforme para uma superfície forrada a papel vegetal coberto de açúcar e enrole a torta ainda quente.

 

Como estamos nesta época festiva, pode decorar a torta com apontamentos celestiais.

Delicie-se!

 


Miguel Mósca Nunes

02.12.22

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Volto a escrever por aqui, depois de uma semana de reflexão, após um acidente de viação que me deixou muito em baixo. Felizmente, não houve danos físicos. A vida continua e temos de nos reerguer e reinventar. Não nos podemos deixar abater.

A vida é generosa, apesar de, muitas vezes, não conseguirmos ver as bênçãos que temos e os sinais de que tudo está bem e de como somos protegidos.

Tudo o que nos acontece tem, aparentemente, um sentido ou significado - um propósito. Eu acredito nisto. E sei que, mais cedo, ou lá mais para a frente, irei perceber a razão de ser de certos acontecimentos. 

Estamos no Natal, e tenho de recorrer àquilo que demonstro desde sempre, que é a profunda satisfação de saber que me vou encontrar com a minha essência.

E tenho de agradecer. A gratidão apazigua-nos, substitui a amargura e o negativismo que pode tentar a sua sorte no açambarcamento da nossa alma.

“O navio da minha vida pode, ou não, estar navegando por mares calmos e tranquilos. Os dias desafiadores da minha existência podem, ou não, ser brilhantes e promissores. Em dias tempestuosos ou ensolarados, em noites gloriosas ou solitárias, mantenho uma atitude de gratidão. Se insisto em ser pessimista, há sempre o amanhã. Hoje eu sou abençoada”. - Maya Angelou.

Feliz Natal!


Miguel Mósca Nunes

09.11.22

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Sim, já cheira a Natal!

Cá em casa há aroma a canela e erva-doce, das duas fornadas de broas dos últimos dias. Mas o mais importante é o Espírito de Natal, que eu espero vir a sentir este ano. Quero sentir a calma, o apaziguamento, o entregar os pontos, um sentimento que me preenchia todos os anos e que, nos últmos anos, tem andado ausente.

Quero sentir que, apesar de todos os contratempos, de todo o rebuliço, de toda a azáfama, o que é mesmo importante é o Amor, são as pessoas que amamos e a marca que nelas deixamos.

O Natal é uma época de partilha, em que abrimos os nossos corações.

 


Miguel Mósca Nunes

04.11.22

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A violência obstétrica existe! E eu sei, porque aconteceu connosco, há vinte anos atrás.

23 de Setembro de 2002, uma hora da madrugada. Dores, que tinham começado na véspera, por volta das nove horas da manhã. 

 - Vamos já para a maternidade? 

 - Não. Vamos esperar e continuar a controlar o tempo entre contracções. - Já lá tínhamos estado às dezassete horas do dia anterior e mandaram-nos embora. A especialista* de preparação para o parto enchera-nos os ouvidos, a dizer que seria muito melhor aguardar em casa, porque entrando na box seria uma espera mais difícil.

 - Ok, vamos tentar dormir mais um pouco.

Às três da manhã, as dores estavam mais fortes e fizeram-nos levantar e arrancar, novamente, para a maternidade. Assim ficariamos mais perto.

Às cinco, a minha mulher estava a vomitar numa rua contígua à Maternidade Alfredo da Costa, ao mesmo tempo que passava um carro-patrulha da Polícia de Segurança Pública, com um trio de agentes espantados. A partir daqui, e nesta sequência absurda de eventos, o nascimento da nossa filha tornou-se uma viagem muito pouco digna de um país civilizado.

Após mais algum tempo de hesitação para entrar nas urgências, com a ideia de que quanto mais tarde, melhor, a martelar nas nossas cabeças, e por não aguentar de dores, lá deu entrada a grávida, a desamparada e muito bem adestrada grávida, às oito da manhã. Só me foi permitido ir para junto da minha mulher às dezoito horas - chamo a isto alienação parental no parto.

Depois de mais de vinte e quatro horas de trabalho de parto, com uma epidural dada ao meio-dia, que entretanto perdeu efeito, sem possibilidade de ser realizada uma cesariana (bloco operatório entupido) e sem a presença de um médico, nasceu a minha filha, às vinte e duas horas e quinze minutos, pelas mãos de uma enfermeira-parteira de quem não recordo o nome, mas que teve um papel essencial para que aquele ser saísse rapidamente da barriga da mãe antes de asfixiar até à morte.

Não houve capacidade, precisamente por falta de meios, para perceber que a minha filha tinha o cordão umbilical em dupla circular à volta do pescoço,  o que fez com que o parto se tivesse, perigosamente, prolongado. Não é necessário adjectivar o que a minha mulher passou, pois não?

Isto aconteceu porque os serviços de obstetrícia eram manifestamente insuficientes, e estavam entupidos de mulheres a precisar de parir, com um bloco operatório cheio, com falta de pessoal médico e meios para acudir às situações críticas.

Aquele ser maravilhoso, na sequência de um parto surreal, foi internado nos cuidados intensivos com um prognóstico reservado que indicava menos de 50% de hipóteses de sobreviver. Contudo, esses cuidados intensivos, com a ajuda determinante de Deus, salvaram-na. Saiu, milagrosamente, daquele lugar, passados dez dias.

Um lugar onde não existem urgências dignas, e em que as parideiras ficam horas à espera, a gritar de dor. Não havia necessidade, tendo em conta a gravidez maravilhosa. Naquela UCI, os profissionais de saúde fizeram tudo o que tinham ao seu alcance, com tão poucos meios e recursos. 

A Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto (APDMGP) refere o seguinte: «Apesar de bastante comum, a violência obstétrica continua a ser uma forma de violência pouco reconhecida. A violência obstétrica é a violência contra as mulheres no contexto da assistência à gravidez, parto e pós-parto. As formas mais correntes de violência obstétrica incluem abusos físicos ou verbais, práticas invasivas, uso desnecessário de medicação, intervenções médicas não consentidas, humilhação, desumanização e recusa de assistência ou negligência pelas necessidades da mulher». Contudo, é fundamental reforçar que este conceito contempla a violência obstétrica sistémica, isto é, a ausência de condições materiais e humanas que promovam uma assistência na gravidez, no parto e pós-parto, segura e digna.

Diz ainda que «O inquérito "Experiências de Parto em Portugal", realizado pela APDMGP e ao qual responderam mais de 3.800 mulheres, revela que 43,5% das mulheres inquiridas não tiveram o parto que queriam».**

Das conclusões do referido inquérito pode ler-se que «mais de um décimo das mulheres não se sentiu respeitada pelos profissionais de saúde, mais de um décimo considerou que os profissionais de saúde não comunicaram de forma afável e positiva, 14,3% referem não ter sido ouvidas no que tinham a dizer/pedir, 15,3 % não se sentiram seguras durante o parto e 13% não se sentiram apoiadas e cuidadas». No nosso caso, quem assistiu ao parto não poderia, nunca, fazer melhor, dadas as circunstâncias em que estávamos, todos, envolvidos. Reitero que fomos sujeitos a uma ausência de cuidados, a uma falta de assistência, que é sistémica.

Perante os recentes acontecimentos, relacionados com a crise nas urgências de obstetrícia, temo que as condições precárias do Serviço Nacional de Saúde tenham piorado, aumentando significativamente o risco de violência obstétrica, com consequências que podem ser muito graves.

Vinte anos depois...

* enfermeira que nos deu as aulas de preparação para o parto (o mesmo que "lavagem cerebral para não darmos muito trabalho ao pessoal da MAC"), curiosamente, num apartamento convertido em gabinetes, situado perto da Maternidade Alfredo da Costa. Esta criatura verbalizava muitas vezes que não valia a pena gritar...

**  inquérito realizado em 2015.

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